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domingo, 12 de dezembro de 2010

Que número lhe caberia?

Já comparei a vida como uma casa de infortúnios embaraços, mas hoje, ao fazer meu exercício matinal (vício), encarei as lacunas apresentadas do sudoku como sendo reflexos em tantos setores da vida. Que número me caberia? E se removesse o nove para caber ali um modesto seis? Seria ruim, tanto assim se realmente mudanças fossem desempenhadas mesmo por pretextos tão nobres? Ou causaria um "efeito borboleta"?
Às vezes vejo que seria muito bom voltar ao passado (ao futuro seria mais fictício ainda!) para fazer mudanças, correções e/ou reviver propositadamente aquelas boas situações, sabe. Tentaria ou mudar a natureza de argumentos ou mesmo a intensidade daqueles momentos sem interferir em sua natureza porque foi simplesmente bom. De um abraço brando para um muito mais intenso; um olhar acompanhado de um sorriso tímido por outro olhar mais penetrante e demorado, aquele sedutor e irredutível como se fosse por uma questão de vida e morte; falar com mais doçura e degustar a situação fazendo um convite pelo compromisso de lhe dar companhia... Enfim, tudo seria possível, mas, infelizmente, assim como a matemática de sudoku o tempo tem seus encaixes sistemáticos que não faz aberturas para remoções quaisquer que sejam. Uma "peça" que seja, está desempenhando papel preponderante no resultado geral, não importando seu peso, cor ou intenção. Seja como for, aprendi que até mesmo um olhar faz encaixar-se sem qualquer pedido de licença, assim como a flecha atirada que não volta e a palavra pronunciada, é uma oportunidade vivida!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Livro acusa Freud de charlatanismo causa polêmica na França



Um novo livro que acusa o pai da psicanálise, Sigmund Freud, de ser mentiroso, fracassado e defensor de regimes totalitários está criando polêmica na França.

De acordo com o filósofo francês Michel Onfray, autor de Le Crépuscule d'une idole, l'affabulation freudienne (O Crepúsculo de um Ídolo, a Fábula Freudiana), a psicanálise é comparável a uma religião e sua capacidade de curar as pessoas é semelhante a da homeopatia.

O livro começou a ser vendido nesta semana nas livrarias francesas, mas já havia começado a gerar controvérsia antes mesmo de sua publicação. Psicanalistas acusam Onfray de cometer erros e ignorar fatos para defender a sua tese.

'Necessidades fisiológicas'

O conhecido filósofo, que escreveu Tratado de Ateologia (publicado também no Brasil), acredita que Freud transformou seus próprios "instintos e necessidades fisiológicas" em uma doutrina com pretensão de ser universal.

Mas, para Onfray, a psicanálise seria "uma disciplina verdadeira e justa no que diz respeito a Freud e ninguém mais".

Onfray diz que Freud fracassou na cura de pacientes que ele mesmo atendeu, mas ocultou ou alterou suas histórias clínicas para dar a impressão de que o tratamento havia sido bem sucedido.

Ele afirma, por exemplo, que Sergei Konstantinovitch, indicado por Freud como "o homem dos lobos", continuou fazendo psicanálise mais de meio século depois de ter sido supostamente curado por Freud.

E diz que Bertha Pappenheim, conhecida como "Anna O." e apresentada por Freud como um caso em que o tratamento contra histeria e alucinações funcionou, continuou tendo recaídas.

Durante um debate com a psicanalista francesa Julia Kristeva publicado esta semana no jornal francês Le Nouvel Observateur, Onfray rejeitou a noção de que o método de Freud "cura todas as vezes".

"A psicanálise cura tanto quanto a homeopatia, o magnetismo, a radiestesia, a massagem do arco do pé ou o exorcismo feito por um sacerdote, quanto nenhuma oração diante da Gruta de Lourdes (onde há relatos de que Nossa Senhora teria aparecido)", afirmou.

"Sabemos que o efeito do placebo constitui 30% da cura de um medicamento", acrescentou. "Por que a psicanálise escaparia desta lógica?"

Se formos analisar a psicanálise sob a otica da epistemologia,ela não é uma Ciêntificos. Não há reprodutibilidade, não há comprovação empírica, não há refutabilidade


Dinheiro, sexo e fascismo

Além de questionar o método de Freud, Onfrey criticou sua personalidade e o apresenta como alguém que foi capaz de cobrar o equivalente ao que seriam hoje US$ 600 por uma sessão, e incapaz de tratar dos pobres.

O filósofo francês diz que acredita que Freud tinha preconceito contra homossexuais e com um interesse especial em temas como abuso sexual, complexo de Édipo e incesto, e que dormia com a cunhada.

Em termos ideológicos, Onfray defende a tese de que Freud flertou com o fascismo e diz que em 1933, ele escreveu uma dedicatória elogiosa para Benito Mussolini: "Com as respeitosas saudações de um veterano que reconhece na pessoa do dirigente um herói da cultura."

Ele afirma que o criador da psicanálise procurou se alinhar com o chanceler Engelbert Dollfuss, que instaurou o "austrofascismo" no país, e também às exigências do regime nazista.

'Ódio'

O livro gerou uma onda de troca de acusações e protestos nos círculos intelectuais da França.

A historiadora e psicanalista Elisabeth Roudinesco afirmou em artigo em Le Nouvel Observateur que o novo texto de Onfray está "cheio de erros" e "rumores".

Roudinesco acusou Onfray de ter tirado as coisas do contexto e afirmou que Freud "de maneira alguma apoiou o fascismo e nunca fez apologia dos regimes autoritários".

"Quando sabemos que oito milhões de pessoas na França tratam-se com terapias derivadas da psicanálise, está claro que no livro e nas palavras do autor há uma vontade de causar danos", disse.

Em seu debate com Onfray, Kristeva defendeu a psicanálise como um mecanismo capaz de tratar de problemas como a histeria, o complexo de Édipo ou comportamento anoréxico ou bulímico, entre outros.

"Onfray nos insulta quando diz que a psicanálise não cura", escreveu o psiquiatra e psicanalista Serge Hefez no semanário Le Point. "O que fazemos todos nós em nossos consultórios, centros de terapia familiar, conjugal, nossos hospitais (...) senão ajudar o sujeito a se converter em ator de sua própria história?"

Hefez disse que "a psicanálise cura, é um tratamento útil e vivo praticado por milhares de terapeutas conscienciosos que conhecem fracassos, sucessos parciais e sucessos."

Onfray respondeu que várias reações contra seu livro evitam responder seus argumentos centrais e, em um artigo publicado no jornal francês Le Monde, perguntou se era impossível fazer uma leitura crítica de Freud.

"Com este livro, alguns amigos haviam me adiantado o ódio porque me metia com o bolso", escreveu. "Hoje eu me dou conta do quão certos estavam".

Para terminar, temos um “causo”. Freud estava tratando de uma mulher que tinha sempre a impressão de estar sentindo cheiro de pudim de laranja queimado. Acontece que o bom Freud vaticinou que as sensações olfativas da distinta senhorita eram sintomas de histeria crônica. Misteriosamente, a paciente deixa de ir no consultório. Tempos depois, Freud a encontra e pergunta como ela tem passado. Ela diz que muito bem, que descobrira que o cheiro de pudim queimado era devido à vizinha, que sempre deixava o doce queimar, mas jogava pela janela para que o marido não visse. (história contada no livro A Assustadora história da Medicina, de Richard Gordon)

fonte: BBC

Experiência da Obediência de Stanley Milgram

Stanley Milgram (1933 - 1984) foi um psicólogo norte-americano graduado da Universidade de Yale que conduziu a experiência dos pequemos mundos (a fonte do conceito dos seis graus de separação) e a Experiência de Milgram sobre a obediência à autoridade. Esta experiência tinha como objectivo o estudo das reacções individuais face a indicações concretas de outros. A obediência era medida através das acções manifestas e implicava comportamentos fonte de sofrimento para outros. Experiência:
1 Um voluntário apresentava-se para participar na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens. Era colocado no comando de uma falsa máquina de infligir choques;
Os sujeitos eram
encarregues num suposto papel de “professor” numa experiência sobre “aprendizagem”.
2 A máquina estava ligada ao corpo de um homem mais velho e afável, que era submetido à uma entrevista numa sala ao lado. O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele;
3 O voluntário era instruído por um investigador a accionar a máquina de choques todas as vezes que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 volts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como “choque ligeiro”) até
450 volts (marcado na máquina como“perigo: choque severo”);
4 À medida que a intensidade dos choques aumentava a pessoa queixava-se cada vez mais até que se recusa a responder;
O experimentador ordena ao sujeito para continuar a administrar choques.”Você não tem alternativa, tem que continuar”;

Ilustrações: Edivaldo Serralheiro
Mesmo vendo o sofrimento, a maior parte dos voluntários continuava obedecendo às ordens e infligindo choques cada vez maiores. A intensidade máxima, 450 v, significaria hipoteticamente matar a outra pessoa. 65% das pessoas obedeceram às ordens até o fim e deram o choque pretensamente fatal. Variações no procedimento Milgram (1974):
  1. Proximidade da vítima:
  • Se a vítima só podia ser ouvida, 65% dos sujeitos iam até ao limite.
  • Se houvesse contacto visual a percentagem baixava. Contudo, mesmo quando os sujeitos eram eles próprios a manter a mão do aprendiz sobre uma placa metálica, 30% iam até aos 450 volts.
2. Proximidade da figura de autoridade:
  • Quando o experimentador dava as instruções pelo telefone só 20.5% continuavam a obedecer;
3. Legitimidade da autoridade:
  • Quando a experiência era conduzida num edifício normal de escritórios a obediência caiu para 48%;
4. Influências sociais:
  • Se estivesse presente um segundo sujeito que obedecia, a obediência chegava aos 92%. Se o outro recusava, somente 10% dos sujeitos chega aos 450V.
As opções metodológicas deste estudo levantaram alguns problemas do ponto de vista ético pois podemos questionar-nos se seria legitimo induzir os sujeitos experimentais em erro numa questão tão delicada quanto esta. Quem efectivamente acabava por sofrer algum dano era o sujeito "agressor" que podia ficar afectado psicologicamente por ter sido levado a pensar que tinha provocado sofrimento a outra pessoa.

fonte aqui

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Perigo da Cristalização dos Limites

      No primeiro artigo do ano, descrevi a importância da autoestima para a realização de projetos, sinalizando o quão importante é o exercício diário do autoconhecimento, a fim de que nossas percepções a cerca de nossos limites e limitações sejam verdadeiras, não demasiadamente otimistas e nem exacerbadamente pessimistas.

      No início do ano é rotina esquematizar nossos planos e idealizações, caminhando em um ritmo um pouco mais lento e projetando o início do ano para valer após as festividades carnavalescas. Porém, seria importante habituarmos nessa primeira fase do ano a ter um pensar crítico e traçarmos rotas e caminhos baseados em nossos limites para que adiante não caiamos no erro de transformá-los em limitações.

      Lembro-me de ouvir um palestrante dizer que “confundir limites e limitações é uma verdadeira armadilha para o nosso desenvolvimento pessoal e profissional”. E de fato, se não tivermos em mente que o limite é a representação de um ponto máximo a qual podemos alcançar, e que tal ponto é baseado nos nossos esforços atuais, a gente corre o risco de cristalizar um potencial que está em contínuo processo de desenvolvimento.

      Por exemplo, o meu limite atual de corrida no parque é 3 km diários, isso porque faço um programa de treinamento com o objetivo de ter uma melhor qualidade de vida, mas isso causa uma limitação óbvia: não poder correr a maratona da São Silvestre. Um amigo meu, pelo contrário, corre 15 km diários, pois, o programa de treinamento dele tem como finalidade proporcionar a participação dele em diversas maratonas pelo Brasil. Se eu tivesse o mesmo objetivo, re-avaliaria o meu programa de acordo com o meu objetivo, e assim diariamente iria ampliando o meu limite de corrida.

      No cotidiano de uma empresa ou de um escritório, corremos o perigo de sentir aquela pontinha de ciúme pelo nosso colega que se destacou ou então, sermos vítimas de colegas que se sentem injustiçados diante dos elogios do chefe ou de promoção.

      Isso acontece em todos os ambientes corporativos e até mesmo em comparações familiares, pois, é muito comum a confusão de ter eficiência versus ser eficaz, justamente por conta da percepção pessoal dos limites e das limitações vividas.

      É importante ter em mente que eficiência é um processo, é um fazer comprometido com qualidade, com competência, exigência e perfeccionismo, ou seja, ter eficiência é ser conhecedor dos limites pessoais e materiais, as quais se tem em mãos e, trabalhar por meios dos recursos oferecidos dentro deste limite.

      Muitos profissionais se destacam e há aqueles que são conhecidos como bons profissionais. Qual a diferença entre eles? O bom profissional é aquele que trabalha com eficiência, conhece o seu limite e trabalha somente em cima daquilo que conhece ou que tem à disposição, ou seja, é uma pessoa que trabalha com sua limitação, pois, a limitação é um limite cristalizado, um limite considerado definitivo e que, de maneira distorcida, afeta não só a área profissional como todas as demais.

      Bons profissionais possivelmente possuem falas em seu ambiente social e familiar de que “não acredito nessas descobertas, é melhor ficar no arroz com feijão”, “o ser humano existe há milhões de anos e sempre se comportará da mesma maneira” ou ainda “não adianta falar com meu chefe, sabe, eu sei que ele não pensa como eu e nem vai ouvir minha opinião”.

       O profissional de destaque é aquele que trabalha com eficiência, mas também é eficaz, ou seja, o seu resultado é de lucro, revela qualidade profissional e tem como retorno a satisfação como excelência pela gerência. Mas isso só é possível porque ele não trabalha com suas limitações, mas reconhece o seu limite e tenta superá-lo, ampliando seu conhecimento, estudando e buscando conhecimento superior a ele, por meio de cursos técnicos, de aprimoramento, MBA e por programas de pós-graduação (latus sensus e stritu sensus).

      Por isso tenha em mente que só há limitações concretas quando deixamos de tentar todos os caminhos que poderíamos trilhar para superar nossos limites e quando encontrados, não permita que eles se generalizem e exerçam controle sobre as demais áreas de sua vida.

      Todos temos limites e algumas limitações, mas nosso desafio está em desenvolver um postura otimista diante deles. Lembre-se que grandes homens e mulheres foram pessoas com enormes dificuldades (você sabia que o ex-presidente americano Franklin Roosevelt contraiu poliomielite aos 39 anos e utilizava a cadeira de rodas?), entretanto, transformaram a limitação em mais um limite a ser superado, por isso não se esqueça: não transforme limite em limitação.

* Artigo de Cíntia G. Vilani



FONTE